Provação, Tentação e Tropeço
Marcos 14:38: “Homens, mantende-vos vigilantes e orai, a fim de que não entreis em tentação. O espírito, naturalmente, está ansioso, mas a carne é fraca.”
Tiago 1:2-3;7;12: “Considerai que é suma alegria quando passais por diversas provações; 3- Sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência; 12- Feliz o homem que suporta a tentação. Porque depois de sofrer a provação receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam”.
“Vós vos alegrais grandemente com esse fato, embora atualmente, por um pouco, sejais contristados por várias provações 7- a fim de que a qualidade provada de vossa fé, de muito mais valor do que o ouro perecível, apesar de ter sido provado por fogo, seja achado causa para louvor e glória e honra, na revelação de Jesus Cristo”.
Salmos 91:11,12: “Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra”.
I – INTRODUÇÃO:
Falamos tanto em provação e tentação, mas muitas vezes não entendemos o conceito bíblico desses termos. A palavra no grego é a mesma para ambas, entretanto, existem diferenças marcantes entre provação, tentação e tropeço:
Provação, como a palavra já diz, significa “por alguém à prova”, submeter a um teste. Visa fortalecer a pessoa e não derrubar.
Tentação pode ser definida como aquele impulso inicial que a pessoa sente para cometer pecados (Romanos. 7:18,19). É, segundo o dicionário, o “impulso para a prática de alguma coisa censurável ou não recomendável”.
A tentação é de início sugestiva, suave, envolvente. Surge como uma pequena ideia, e acaba se tornando um grande plano. Vai “tomando corpo” dentro de nós a ponto de nos levar a fazer loucuras, não nos importando mais com o tempo, local ou pessoas.
A tentação nos faz acomodados, preguiçosos com os nossos deveres, chega a anestesiar nosso raciocínio. A tentação tira a paz interior, a tranquilidade da consciência, nos isola das pessoas que nos querem o bem, nos leva sempre para as más companhias.
Na tentação, nunca temos tempo para as coisas de Deus: o culto é monótono e longo, não nos preenche. Os pregadores são cansativos; observamos mais seus trejeitos, vestimenta e erros de português ou tiques que possam ter, do que a mensagem que nos transmitem. A oração é longa demais e incomoda a posição que ficamos. A tentação visa à destruição da pessoa, levá-la à morte espiritual.
Tropeço é uma expressão idiomática da Bíblia hebraica, da segunda aliança, e denomina a atitude ou comportamento de alguém que conduz outrem a pecar.
Vamos estudar com mais profundidade e à luz das Escrituras cada uma delas.
II – PROVAÇÃO
II.1. VISÃO GERAL:
Definição: Provação, como a palavra já diz, significa “por alguém à prova”, submeter a um teste. Visa fortalecer a pessoa e não derrubar (II Crônicas 32:31; Hebreus 12:1-3; 11:17-19; I Pedro 1:6,7). A provação recompensa os que são provados e aprovados (Tiago 1:12). É o exercício de disciplina e correção, para aperfeiçoamento da fé (I Pedro 4:12-16, 5:8,9).
Características e sentimentos:
- Provações são dificuldades ou sofrimento — testes da nossa fé. Não há, geralmente, nada imoral envolvido numa provação. Você vai notar que Tiago 1:2-3, nosso irmão, trata do problema das provações de modo bom, incentivando-nos a enfrentar as provações com alegria: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a prova da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.”;
- A provação vem, quase sempre, através do sofrimento (I Pedro 2:19-23), como veremos adiante com alguns exemplos bíblicos;
- A provação traz paz ao coração, pois é Deus quem cuida de nós. Quando suportada com fé em Deus, ela nos provoca uma confiança e uma certeza da vitória tão grande que não se pode explicar e permite que se diga o que nosso irmão Paulo disse com toda convicção: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé, agora só me resta a coroa de justiça que Deus tem pra mim preparada”; e
- A provação nos dá têmpera, faz-nos fortes, desbravadores, testemunhas.
Origem e objetivo: É de origem divina (Gênesis 22:1,2; Hebreus 12:6-10). A provação é uma situação permitida por Deus, fazendo parte da pedagogia de Deus para nos conduzir à constância, ao equilíbrio de nossa fé.
II.2. A SEQUÊNCIA DA PROVAÇÃO VENCIDA (Tiago 1:2-4; I Pedro 5:10)
- AFLIÇÕES > 2. FÉ EM JESUS > 3. PERSEVERANÇA > 4. VITÓRIA > 5. FIRMEZA > 6. FORTALEZA > 7. DEUS NOS PORÁ SOBRE FIRMES ALICERCES
Deus refina e testa o homem através das provações (Jeremias 9:7).
II.3. HOMENS DE DEUS QUE PASSARAM POR PROVAÇÕES
Agradou a Deus moer o próprio filho (Isaías 53:10-12; Hebreus 2:16-18), para que hoje pudesse entender o homem. Jesus passou por grandes provações: sofreu traição, injúrias, blasfêmias, difamação, fome, dor física, pobreza, solidão… Ele passou por elas usando a força do Espírito Santo de Deus. Por isso Ele é capaz de nos entender e de nos socorrer em todas as nossas dores, pois Ele as conhece.
E não somos os únicos, Deus usa a mesma pedagogia com nossos irmãos espalhados pelo mundo (I Pedro 5:9). Além de Jesus, a Bíblia relata que alguns outros homens de Deus que foram provados e tentados. Vejamos alguns exemplos:
Abraão: Foi provado quando Adonai lhe pediu a vida do seu único filho e por sua fidelidade, foi também aprovado e teve uma vida abençoada, descansando em ditosa velhice (Gênesis 22:1-3; 24:1, 25:7-9).
Elias: Teve vários momentos de provação. Em uma delas, estava deprimido, debaixo de uma árvore, ao ter a vida ameaçada; por isso se esconde e suplica a Deus: “Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais” (I Reis 19:1-4; II Reis 2:1-3,8-11)
Nada imoral ou maligno causou a depressão de Elias. Era um teste, uma dificuldade, uma provação.
Jó: Um homem íntegro, temente a Deus, que se desviava do mal (1:1-5,8). Ele fala de suas próprias atitudes (31:5-33). Deus permitiu que fosse provado (1:13-22, 2:1-7). Ele perdeu a família, a casa, os bens, os filhos e a saúde — perdeu tudo! Nada imoral, muitos problemas; foram um teste. De fato, houve uma série de incidentes graves, mas ele manteve sua integridade com Deus e por isso Deus lhe concede mais dez filhos e duplica todos os seus bens (42:10-17).
Judá: Foi provado por outro profeta. Seu teste era se manter fiel à ordem que Deus lhe dera (I Reis 13:1-24).
Tobit: Dava de sua comida aos pobres, enterrava os mortos contra a ordem do rei e ficou cego por alguns anos a fim de ser provado. Após a provação vencida, foi recompensado por Deus com uma ditosa velhice (Tobias 2:1-14, 3:1, 11:10-12,16-19, 12:3-20, 14:1-2).
João: O autor de Apocalipse foi banido para a ilha de Patmos, mas não por delitos morais ou por fraquezas pessoais. Seu teste consistiu em ser removido de tudo quanto conhecia e amava. Foi uma provação!
Paulo: O grande apóstolo do Senhor, sofreu doenças, açoites, fome, naufrágios. A Bíblia não conta explicitamente como ou quando Paulo morreu. De acordo com a tradição cristã, Paulo foi decapitado em Roma durante o reinado do imperador Nero, em meados dos anos 60, na Abadia das Três Fontes (II Coríntios 11:23-27; Atos 20:23-24, 21:10-14; II Timóteo 4:6-8).
João Batista: Mesmo sabendo que podia ter o fim que teve, não se acovardou, chamando a atenção de Herodes, imperador romano, por seu pecado de se casar com a esposa de seu irmão (Marcos 6:17-28).
Daniel: Embora sob ameaça do rei, manteve sua integridade (Daniel 6:4,5,7,10,12,14,16,19-22,25-27)
Azarias, Ananias e Mizael: Optaram por serem lançados na fornalha, em obediência à Palavra de Deus. Mesmo em terra estranha, eles se recusaram a negar o Senhor e a se prostrar diante de uma imagem (Daniel 3:10-27).
II.4. HOMENS DE DEUS TAMBÉM FICARAM DEPRESSIVOS AO PASSAREM POR PROVAÇÕES
Elias passou por várias provações, em uma delas pediu a morte. Deus lhe mostra, entretanto, que ainda havia muitos servos espalhados, que ele não era o único, como pensava (I Reis 19:1-5,8,10,14-18).
Jó amaldiçoou o dia de seu nascimento (Jó 3:1-13,24-26).
Jeremias lamentou sua existência (Jeremias 15:10; 20:14-18).
Adonai se agrada que saibamos padecer sofrimentos com paciência e fé, até que Ele entre com providência (Jeremias 3:25-33; Tiago 5:10-11,13; I Pedro 2:21-23; 3:6,14; 4:12-14, 5:8-10).
II.5. O QUE É NECESSÁRIO PARA SERMOS GUARDADOS NA HORA DA PROVAÇÃO?
“Porque guardaste a palavra a respeito da minha perseverança, eu também te guardarei da hora da prova, que há de vir sobre toda terra habitada, para por à prova os que moram na terra.” (Apocalipse 3:10).
III. TENTAÇÃO
III.1. INTRODUÇÃO
Antes de adentrarmos no tema propriamente, é importante conhecermos o inimigo e suas estratégias. Podemos afirmar, ousadamente, que qualquer que seja o plano de Satanás é algo permitido por Deus, para que no final resulte em serviço e benefício dos santos.
Vejamos alguns exemplos: No caso de Jó, ele não pôde afligi-lo sem a aprovação divina. Ele só conseguiu atormentar Saul, porque foi enviado por Deus a esse monarca. Ele não pôde dar ao apóstolo Paulo um “espinho na carne”, sem que Deus determinasse tanto a limitação do tempo como a severidade. Isso não soa como independência, é uma escravidão!
Satanás mostra-nos apenas os “entretantos”; nunca os “finalmentes”. Ilustração: Normalmente se tenta apanhar um rato com uma ratoeira, certo? Uma armadilha mostra a promessa de comida e realização, enquanto mantém as consequências escondidas. O rato vê apenas o queijo e não entende a haste de metal e a mola poderosa. Semelhantemente, Satanás quer nos manter ignorantes sobre as dinâmicas complexidades dos acontecimentos do mundo espiritual. Ele deseja que as circunstâncias pareçam corriqueiras e jamais suspeitemos de suas armadilhas.
Ele nunca nos mostra as consequências das drogas do álcool, da pornografia, da imoralidade e da desonestidade; ele também não nos mostra o fim daqueles que mantêm crenças erradas a respeito da Bíblia, de Cristo e da Salvação.
Mesmo hoje, como crentes, somos tentados a olhar para o mundo e acreditar que temos sido defraudados. Por que somos atraídos tão frequentemente pelas tentações? Por que temos caído na armadilha de pensar que os caminhos de Deus não são os melhores para nós? Acreditamos que nossa obediência é boa para Ele, mas não para nós..…TODO PECADO É DESPREZO A DEUS.
Paulo menciona em II Coríntios 2:11 “Porque não ignoramos seus ardis“.
O inimigo é muito inteligente e sagaz (Efésio 2:2; 6:23). Possui a sua disposição um exército com militantes de todos os escalões (II Pedro 2:4). Ele constrói planos contra cada ser humano de forma individual, porque, para Deus (seu arqui-inimigo), uma única vida é de grande importância, tanto que quando um pecador se converte há festa no céu (Lucas 15:7).
O inimigo também conspira contra cada família, seja com suas “maldições hereditárias” ou de inúmeras outras formas, sempre personalizadas, conforme as fraquezas e brechas de cada família. Mas ele também conspira contra a existência de famílias, pois essa instituição foi constituída por Deus desde a fundação da humanidade (Gênesis 1:27,28, 2:24). Lúcifer faz tudo quanto pode para extingui-las, e é por isso que hoje vemos relacionamentos tão conturbados, tanta inversão de família quanto ao que é família aos olhos de Deus, além de um alto índice de divórcios, filhos contra pais, pais contra filhos e coisas do gênero. Isso é prova que o inimigo age contra esta instituição.
Ele também atua através de regionalidades, também tem aqueles espíritos malignos responsáveis por toda uma cidade, estado, pais, continente, enfim a organização é extrema. Afinal, ele vive 24hrs por dia (não precisa dormir) só para esta luta.
Vemos um pouco desse princípio no livro de Daniel quando lemos: “Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia” (Daniel 10:12-13).
No texto acima, fica claro a existências de príncipes espirituais: neste caso, o príncipe da pérsia é um demônio responsável pela Pérsia e, por seu turno, Deus enviou um de seus príncipes, Miguel, nome pelo qual Cristo era conhecido na primeira Aliança, para auxiliar ao anjo Gabriel a concluir sua missão, que era a de levar a resposta da oração de Daniel até ele.
Fica clara também a importância de perseverarmos em oração. Se Daniel tivesse desistido, será que Deus teria enviado Miguel? Se o próprio Jesus nos ensina a perseverarmos em oração é porque existem regras espirituais no mundo (Lucas 18:1-8).
O inimigo também usa estratégias diferentes para pessoas que fazem parte de um grupo cristão e outras estratégias para aqueles que ainda não estão em Cristo. Neste sentido, há alguns ardis diferenciados no meio da igreja de Cristo. Podemos citar alguns exemplos:
Pedra de Tropeço
Espíritos enganadores
Doutrinas de demônios
Tentação
Falsos profetas
Lobo disfarçado de ovelha
Líderes hipócritas
Apostasia
Rebelião
Uma ilustração muito útil: Uma simples moedinha, colocada diante dos olhos, pode obscurecer a luz ofuscante do sol, uma estrela cujo diâmetro é de 1.392.082 quilômetros. Assim também, se permitirmos, Satanás pode bloquear nossa visão de Deus. Ele pode nos dar a terrível ilusão de ótica de que, pelo menos nessa vida, ele é tão grande quanto Deus. Lembre-se, Satanás adquire mais poder à medida em que lhe atribuímos maior poder do que possui.
Este tema e todos que estão ligados à batalha espiritual são de extrema complexidade e dariam centenas de artigos. Por hoje, destacaremos os temas “Tentação” e “Pedra de Tropeço” e veremos o que a Bíblia nos fala sobre isto.
III.2. VISÃO GERAL:
Definição: Tentação pode ser definida como aquele impulso inicial que a pessoa sente para cometer pecados (Romanos. 7:18,19). É, segundo o dicionário, o “impulso para a prática de alguma coisa censurável ou não recomendável”.
Características e sentimentos:
- A tentação é, de início, sugestiva, suave, envolvente: surge como uma pequena ideia, e acaba se tornando um grande plano. Vai “tomando corpo” dentro de nós a ponto de nos levar a fazer loucuras, não nos importando mais com o tempo, local ou pessoas;
- A tentação tira a paz interior, a tranquilidade da consciência, isola-nos das pessoas que nos querem bem e nos leva sempre ao encontro das más companhias;
- A tentação nos faz acomodados, preguiçosos com os nossos deveres, chega a anestesiar nosso raciocínio: na tentação, nunca temos tempo para as coisas de Deus: o culto é monótono e longo, não nos preenche. Os pregadores são cansativos; observamos mais seus trejeitos, vestimenta e erros de português ou tiques que possam ter, do que a mensagem que nos transmitem. A oração é longa demais e incomoda a posição que ficamos; e
- Pode vir através das palavras de alguém que tenta seduzir para o pecado e persuadir a tomar um caminho errado (Jó 2:9; Provérbios 5:3-12, 7:14-23, 9:13-18;16:27-28).
Origem e objetivo: A tentação é de origem satânica e carnal (Mateus 4:1-11, João 13:2, Tiago 1:14), seu objetivo é fazer o crente abandonar a vontade do Eterno. Visa sempre o mal, nos tirar da dependência do Eterno (Mateus 4:3-6,8-9), seu objetivo é a destruição da pessoa, levá-la à morte espiritual.
Devemos nos alegrar quando passamos por várias provações, mas qual a orientação bíblica quanto à tentação? (Mateus 26:41; Marcos 14:38; Lucas 22:40)
Neste sentido, clareia-nos a compreensão o texto de Tiago 1:12-15: “Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. Ninguém, sendo tentado, diga: `De Deus sou tentado’; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por esse iludido e arrastado. Em seguida, esse desejo, tendo concebido, faz nascer o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte”.
Observe que Tiago continua escrevendo até o verso 12 sobre provações. Mas, no verso 13, ele fala de tentação. “Ninguém, ao ser tentado, diga sou tentado por Deus.” Quando falamos de tentação, as coisas são diferentes. É por isso que, em Tiago 1:13, o verso inclui a palavra “tentado”. Embora seja o mesmo termo grego que lemos nos versos 1 a 12, na mente do escritor o sentido era diferente. Mudou da ideia de uma dificuldade para a de procurar o mal. Esse texto nos leva ao entendimento claro de que Deus não é o autor da tentação, quando esta ocorre em nossas vidas. A tentação sempre ocorrerá com permissão de Deus, pois Ele é O Soberano, mas nunca por Sua ação direta.
Mas por que Deus não tenta as pessoas? Como dito anteriormente, a tentação visa trazer a pessoa a uma vida de erro e pecado, a uma vida de distância de Deus. Daí se depreende que Deus não usa a tentação, pois ela é destrutiva.
Quem trabalha com a tentação é o Diabo, é o mundo, é a nossa carne. Eles nos tentam sempre com o objetivo claro de nos fazer cair diante de práticas que não agradam a Deus. É óbvio que nada acontece sem o consentimento de Deus, mas Deus não é o seu autor em nossas vidas. Inclusive, a Bíblia ensina que Deus nos ajuda quando somos tentados e não permite que sejamos tentados além de nossas forças (I Coríntios 10:13).
III.3 DOS TIPOS DE TENTAÇÃO:
A cobiça, a arrogância e o orgulho são uns dos principais pecados, identificados com o próprio pecado original. Elas são a exaltação do ser e da vontade humana acima da de Deus e do próximo (Êxodo 20:17; Números 16:1-5,12-15,20,32-33; Ezequiel 28:12-17; Isaías 14:13-14). Por isso às vezes somos tentados também através de elogios (Provérbios 27:21). A quem elogiamos também demonstra nossa espiritualidade (Provérbios 28:4).
Um outro campo fértil é o lar, o trabalho, a igreja, quando permitimos que a vontade seja despertada e incentivada por ambições e gostos pessoais. Os resultados são ressentimentos, mágoas, ciúmes (I Samuel 18:6-10; Provérbios 17,4,9).
Podemos, ainda, sermos tentados a fofocar, roubar (João 12:4-6); mentir (II Crônicas 18:18-22; Atos 2:44-46; 5:1-11); a criar contendas, e fomentar rixas. Há ainda enfermidades causadas pelo tentador, as quais alguns textos bíblicos se referem (Jó 2:1-7; Lucas 13:10-17).
Sábio é aquele que não se permite nem mesmo flertar com o pecado. É necessário estar sempre envolvido. Se ocupar para não dar lugar às tentações do dia-a-dia. “Cabeça vazia, oficina do diabo”, as provações do dia-a-dia devem nos servir como escada para chegar mais perto e profundamente de Deus.
III.4. POR QUE E POR QUEM SOMOS TENTADOS?
- Pela carne, porque, apesar de convertidos, temos ainda uma natureza pecaminosa que nos atrai e seduz (Marcos 7:21,22; Gálatas 5:16,17; Tiago 1:13,14)
- Pelo mundo, porque o mundo, habilmente controlado e governado por Satanás, exerce uma forte pressão em nossos desejos carnais (Efésios 2:1-2; I João 2:15-17).
- Por Satanás, porque ele, como nosso inimigo, quer nos derrubar (I Pedro 5:8; João 8:44) e, sendo o pai da mentira, lança dúvidas a respeito da Palavra.
III.5. ESTRATÉGIAS DA TENTAÇÃO
A tentação costuma vir sob alguns formatos clássicos (Gênesis 3:6; I João 2:15-17), acometendo crentes e não crentes:
- Concupiscência dos olhos (beleza, cobiça, desejo do que não se tem) (Gênesis 3:6; I João 2:15-17; Provérbios 31:30);
- Concupiscência da carne (fome, sexo, luxúria, lascívia). A lascívia significasensualidade, libidinagem. A luxúria é uma característica de quem tem despudor, quem tem modos libertinos, libidinosos, quem tem propensão para a sensualidade) (I Coríntios 6:9-10,18-19; I Tessalonicenses 4:3-6; II Timóteo 3:1-7);
- Soberba da vida (desejos de dinheiro, bens, ambição, ganância, ostentação, orgulho, soberba) (Lucas 12:15-21; Efésios 5:3; I Timóteo 6:9).
A tentação também pode acometer os que servem a Deus, de uma forma mais sofisticada como a implantação de dúvidas quanto à Palavra de Deus (Gênesis 3:1), quanto ao caráter do Eterno e quanto a Sua bondade (Gênesis 3:4).
A tentação pode se apresentar sob a forma de alguma vantagem, satisfação pessoal ou desafio. Quanto Jesus foi tentado, Satanás usou essas estratégias, ao dizer:
“TUDO ISSO EU TE DAREI SE PROSTRADO ME ADORARES…”: a vantagem era ter o mundo a seus pés, passar a ser seu dono.
“MANDA QUE ESSAS PEDRAS SE TRANSFORMEM EM PÃES…”: também uma situação de satisfação pessoal para alguém que estava em jejum.
“SE TU ÉS O FILHO DE DEUS, LANÇA-TE DAQUI PARA BAIXO PORQUE ESTÁ ESCRITO QUE AOS TEUS ANJOS DARÁ ORDEM A TEU RESPEITO”: um desafio. Jesus veio como um homem e há no homem uma tendência a desafios. Seu objetivo era levar Jesus a tentar a Deus ao querer provar ser Filho do Altíssimo.
III.6. A SEQUÊNCIA DA TENTAÇÃO NÃO RESISTIDA (Tiago 1:13-15): Ex: Caim
Qual foi a motivação de Caim para que exterminasse seu irmão? Qual foi a maléfica dinâmica dos pensamentos e condutas de Caim, segundo Gênesis 4:6-7?
- PENSAMENTO > 2. IMAGINAÇÃO > 3. DESEJO > 4. DECISÃO > 5.AÇÃO (pecado) > 6. MORTE (separação de Deus)
III.6.1. DO INÍCIO DO CICLO DA TENTAÇÃO: O CAMPO DE BATALHA DA MENTE
A partir do que exposto no item anterior, vejamos que as maiores batalhas espirituais se iniciam no campo chamado “mente”.
É na mente que se iniciam todos os pensamentos. Nossa mente contém um filtro pelo qual passam todas as informações que vão para nossa alma.
Esse filtro funciona a partir de diálogos interiores. Cada um de nós mantém um diálogo interior de 1200 a 1500 palavras por minutos. Essa conversa determina como você se comportará, determinando suas ações.
De forma sistemática, os pensamentos podem se originar de:
- Emoções. Exemplos: pensamentos de momentos tristes, você ficará triste; pensamentos agradáveis, você ficará feliz;
- Contextos e situações. Exemplo: você chega do trabalho e alguém te convida para fazer algo que não gosta. Você dirá que está muito cansado. Mas se é algo de que gosta, se sentirá revigorado e irá; e
- Centro de controle inconsciente. Exemplo: uma pessoa mordida por um cão na infância terá medo de qualquer cachorro na fase adulta.
Veja que, pelo exposto, a mente é capaz de produzir todo o tipo de pensamento, que determinará nossas ações e comportamentos para com os outros. A mente é, portanto, o maior Campo de Batalha de Satanás, que nos ataca nesse setor mais que qualquer outro. A Batalha é sem tréguas e não terminará enquanto não for estabelecido o novo Céu e nova Terra.
Os Poderes das Trevas não podem fazer nada se primeiro não ganharem algum terreno na mente humana. Com este acesso, eles podem trabalhar livremente sem que inicialmente se faça necessário persuadir a pessoa ou conseguir a permissão da mesma.
Neste sentido, a mente, tendo sido aprisionada pelo inimigo, torna-se enfraquecida pela batalha. Quanto firmemente aprisionada por Satanás se torna endurecida.
Isto porque é no campo da mente que se formam os autoconceitos bons ou ruins na nossa alma. Vejamos:
a) uma alma fragilizada, ferida, magoada, traumatizada, amargurada, produzirá uma fé vacilante e uma mente doentia (Tiago 1:6)
b) uma alma enferma só pensa no pior: não vê esperança de mudança em nada, vive sofrendo por antecipação com coisas que nunca existiram e que nunca acontecerão. O medo contínuo traz um verdadeiro tormento e nos acovarda (II Timóteo 1:7; I João 4:18), aprisiona nossa mente, impedindo-nos de lançar a semente, pois ficamos focados nos problemas; e
c) uma alma enferma pensa e diz: “Não posso, não venço, não consigo, não dá certo”, enquanto que uma alma curada pensa e diz: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).
Se o filtro da nossa mente não estiver lavado e purificado com o sangue de Jesus, e não estiver cheio da Palavra de Deus, toda sujeira nela contida, entrará em nossa alma e contaminará nossas ações, razão pela qual Paulo nos cita Romanos 12:2. Provérbios também nos ensina que “assim como você pensa na sua alma, assim você é” (Provérbios 23:7).
Por isso é tão importante não permitir que pensamentos malignos varem a mente. Somos responsáveis diante de Deus por examinar todos os pensamentos que passam em nossa mente, e por decidir se os mesmos devem ou não permanecer (Efésios 6:16), a fim não influenciarem nossas decisões negativamente, levando-nos ao pecado. Todos os pecados começam na mente, na forma de pensamentos!
III.6.2. DO TURBILHÃO DE PENSAMENTOS À DECISÃO:
É no campo da mente que surgem os desejos, que, por sua vez, plasmam nossas decisões de nos declararmos derrotados ou vitoriosos:
a) Você prefere crer na Palavra de Deus ou nas mentiras de Satanás? (João 8:44);
b) Você é o produto daquilo que você imagina e declara a seu respeito. Provérbios 23:7 – “Porque, como imaginou na sua alma, assim é…”; e
c) Se sua mente estiver cheia de Deus e da sua palavra, certamente você terá pensamentos bons a seu respeito e a respeito das pessoas (Mateus 6:23; Filipenses 4:8; Zacarias 8:17)
Perceba, portanto, que é em nossa mente que se originará a decisão de: (i) servir a Deus ou ao maligno; (ii) fazer a vontade do mundo ou a de Deus; (iii) ser vencedor ou um derrotado; (iv) mentir ou dizer a verdade; (v) ser um crente cheio do Espírito Santo ou um crente medíocre; (vi) ser abençoado ou ser amaldiçoado; e (vii) renunciar a nossos direitos por amor a Deus ou brigar para que nossas vontades e direitos prevaleçam.
III.6.3. DO PENSAMENTO AO COMPORTAMENTO: HÁBITOS BONS OU MAUS SÃO RESULTADOS DO QUE PENSAMOS
A mente ou pela forma como a mente sistematicamente trabalha (pensamentos) influenciará nossas decisões e ações. Esse processo levado a cabo inúmeras e repetidas vezes poderá cristalizar determinados comportamentos. É o que se chama de “Hábito”.
Hábito é o modo natural de responder a uma situação. É um padrão de comportamento adquirido através da repetição de uma ação engendrada por um pensamento, ou uma crença instalada na mente. Uma vez cristalizado, o hábito requer, para sua efetivação, pouco ou nenhum pensamento.
Categorias de hábitos: Há quatro categorias de hábitos:
- físicos (escovar os dentes, roer unhas, amarrar os sapatos, alisar os cabelos, etc.);
- sociais (respostas à apresentações, proclamações de nascimento ou morte);
- emocionais (alegria, ira, tristeza, excitação), esses são mais complexos; e
- químicos (drogas, álcool, nicotina, cafeína, açúcar).
Como os hábitos se desenvolvem?
PENSAMENTOS (gerarão) >> AÇÕES (que criarão) >> HÁBITOS
Quando se age no “hábito”, responde-se pronta e automaticamente. Isto torna a vida mais fácil porque elimina a necessidade de pensar. Quanto mais é repetido, mais difícil será superá-lo. Hábitos limitam a capacidade de lidar com as pessoas.
Veja que Deus estabeleceu o hábito para você decidir como usá-lo: para o bem ou para o mal. Daí a necessidade de, como cristãos, desenvolvermos hábitos bons e saudáveis, o que se inicia pela renovação constante dos nossos pensamentos.
CICLO DO PENSAMENTO CORRETO
Evento Ativante >>>>> Banco de Ideias >>>>>> Comportamento Consequente
De outro lado, você poderá produzir pensamentos errados ou irracionais a partir de determinados estímulos. Vejamos:
CICLO DO PENSAMENTO ERRADO
Evento Attivante >>>>> Comportamento consequente
Isto pode se dar sob circunstâncias especiais, tais como:
- Supergeneralizar: tomar um único exemplo e o transformar numa realidade universal;
- Rotular. Exemplo: os discípulos se assustaram ao verem Jesus conversando com uma mulher, unicamente por ser uma samaritana;
- Enfatizar o negativo sobre o positivo;
- Apressadamente concluir. Exemplo: se vermos uma pessoa cumprimentar alguém que chegou de viagem calorosamente e, quando viajamos, ela fizer o mesmo conosco, concluiremos que ela sente o mesmo por nós;
- “Absolutivar”: Exemplos: Eu preciso, eu deveria, eu não consigo… Quando você diz: As pessoas não deveriam fazer isso comigo, está dizendo “eu não gosto que façam isso comigo, quero ter controle sobre o comportamento das pessoas, assim não sairei magoado”)
Desafios para vencermos o pensamento irracional:
- Esse pensamento é verdadeiro?
- É um pensamento bíblico (Ex. Qual o problema de termos sexo, vamos nos casar?!)
- Se outros olhassem, eles teriam a mesma opinião?
- Existem formas alternativas de analisar isso?
Exercícios:
- Ouça sua conversa interior por alguns dias, registre no papel as conversas interiores que tem principalmente quando está irado, frustrado ou deprimido. Observe como afeta seu comportamento (Filipenses 4:8; Salmos 119:9,11);
- Relacione 5 princípios básicos da sua conversa interior;
- Relacione desculpas que você encontra para justificar seus maus hábitos; e
- Memorize (Filipenses 4:8)
Pense nos hábitos que você gostaria de mudar e nos benefícios que receberá de abrir mão de seu hábito, para ver seu valor comparado aos constantes problemas que seus maus hábitos te trazem.
Se os hábitos derivam das ações e as ações dos pensamentos, impedir o ataque de Satanás no nível dos pensamentos nos trará vitória.
Orientação: Quando notar que a mente está sendo alvo dos ataques, diga: “Eu não aceito estes pensamentos, saiam, em Nome de Jesus!” ou “O Senhor Deus te repreenda em nome de Jesus.” Pense nas Escrituras, recite passagens Bíblicas para controlar sua mente: “Tudo posso naquele que me fortalece”; “A alegria de Deus é a minha força”; “Sem fé ninguém pode agradar a Deus”; “Tudo coopera para o meu bem”.
Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós (Tiago 4:7).
Por isso, repisamos que somente haverá controle de nossas ações quando houver controle de nossos pensamentos:
III.7. HOMENS DE DEUS QUE PASSARAM POR TENTAÇÕES E CAÍRAM NELA
Adão: Seduzido pela esposa, alimenta-se do fruto proibido (Gênesis 3:6,7,17-19). Resultado: Trouxe a morte a toda a humanidade (Romanos 5:12,14);
Acã: Seduzido pela soberba da vida, roubou o que estava votado ao interdito, trazendo pecado sobre toda comunidade de Israel (Josué 6:17, 7:1,5,10-12, 19-21,25-26);
Sansão: Seduzido pelas súplicas de Dalila, revela seu segredo (Juízes 16:15-21). Resultado: Perdeu a visão e morreu junto a seus inimigos (Juízes 16:18-21,24-25,29-30);
Davi: Ao anoitecer, estando ocioso, tendo se levantado de sua cama olha pela janela, vê uma mulher se banhando e foi seduzido pela concupiscência dos olhos e da carne (II Samuel 11:1-6,14-15,26-27, 12:7-14);
Davi: Instigado por Satanás, pela soberba da vida, faz o censo do povo e peca (I Crônicas 21:1-3,7-14);
Salomão: Desconsiderando uma ordem dada por Deus, no Livro da Lei, direcionada aos reis de Israel, para que os mesmos se abstivessem de tomar muitas mulheres, seduzido pela concupiscência da carne, não ouviu a advertência (Deuteronômio 7:1-3; I Reis 11:1-4; 4:29-30,34; 11:1-8):
“E Deus deu a Salomão sabedoria e entendimento muito grande, e largueza de coração como a areia na praia. Assim, a sabedoria de Salomão era maior que a sabedoria de todos os homens do Oriente, do que toda a sabedoria do Egito e dos homens de todas nações; e todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria, vinham ouvir a sabedoria de Salomão.
“Mas o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, bem como a filha de Faraó: as mulheres moabitas, amonitas, edomitas, dos sidônios e heteus, nações sobre as quais o Senhor tinha dito aos filhos de Israel: Você não deve se casar com elas, nem elas com você. Certamente elas vão virar os vossos corações após os seus deuses. Salomão agarrou-se a elas por amor. Ele tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; E suas mulheres lhe perverteram o coração”.
Ananias e Safira: Seduzidos pelo materialismo, usando de hipocrisia, tentaram enganar os apóstolos para parecerem desprendidos como os demais que vendiam suas propriedades e as depositavam a seus pés. Blasfemaram contra Deus, pois aos olhos de Deus não estavam enganando os apóstolos, mas ao Espírito Santo de Deus que estava neles (Atos 2:44-46; 5:1-10);
O Jovem Rico: Seduzido pela riqueza que possuía, pela soberba da vida, saiu entristecido por não poder fazer o que Jesus lhe orientou (Lucas 18:18-24). A Bíblia não diz que ele foi tentado, mas vejamos o que nos diz I Timóteo 6:9-10;
Judas: Traiu Jesus por 30 moedas de prata, e foi atraído pelo prêmio, como Balaão (Marcos 14:10-11,18-19,44-45; João 13:26-27); e
Caim: Cheio de ira e inveja, alimentou pensamentos maus, lançados por Satanás, não teve domínio próprio e matou seu irmão, cometendo o primeiro homicídio da terra (Gênesis 4:8-14).
Cada um desses homens pecaram, pelos pecados citados em Judas, e se incluem nas categorias descritas em Judas 1:11-13. A Bíblia os chama de:
- Rochedos escondidos sob a água em nossas festas de confraternização (estão no meio do povo de Deus- v.12);
- Pastores que se alimentam a si mesmos (Ezequiel 34:1-10);
- Nuvens sem água, levadas para lá e para cá pelos ventos (pessoas instáveis, homens vãos, sem Cristo – Provérbios 25:14; Eclesiastes 11:3);
- Árvores murchas, sem frutos, duas vezes mortas, arrancadas pela raiz (Salmos 1:3, 61:3; Hebreus 9:27);
- Ondas furiosas do mar, que lançam espuma para sua própria vergonha (iníquo, homens imprestáveis- Salmos 32:6, 18:4, 69:15; Jeremias 47:1,2; II Samuel 22:5);
- Estrelas errantes (sem rumo fixo) para as quais está reservada a mais profunda escuridão.
III.8. COMO OBTER VITÓRIA SOBRE A TENTAÇÃO?
- Afastando-nos das fontes da mesma: I Coríntios 6.18, II Timóteo 2:22;
- Resistindo à sua sedução: Tiago 4:7;
- Vigiando e orando: Mateus 6:13, 26:41; Marcos 14:38; Lucas 22:31-32,40;
- Levando todo pensamento à obediência a Cristo: II Coríntios 10:5;
- Andando no Espírito: Gálatas 5:16; apropriando-se, pela fé, dos recursos de Deus: I Coríntios 10:13;
- Mantendo comunhão constante com os irmãos: Colossenses 3:16;
- Estando com a mente e o coração repletos da Palavra de Deus: Filipenses 4:8-9;
- Buscando a santidade do Senhor: I Tessalonicenses 5:23-24; servindo-O e adorando-O: Salmos 56:10-13;
- Indo à Igreja, nos renovando e mantendo o foco: Hebreus 10:25; II Coríntios 4:16-18;
- Ajudando nosso irmão que deu um passo em falso a se reajustar (Gálatas 6:1);
- Deixando tudo para servir a Deus = renúncia pessoal (Lucas 18:28-30; Mateus 16:25-27).
III.9. HOMENS QUE FORAM VITORIOSOS SOBRE A TENTAÇÃO PORQUE PRATICARAM O QUE ACABAMOS DE LER
Jó: Podemos ver que houve provação na vida de Jó, pois ele compreendeu o crescimento que Deus lhe deu. Porém, ele também foi tentado. Veja o que a esposa lhe disse quando atravessava aquele difícil momento: “Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2:9). Essa era, certamente, a voz destrutiva do tentador querendo afastar Jó da presença de Deus, usando a boca da sua própria metade para leva-lo a pecar.
José: foi assediado pela esposa de Potifar (Gênesis 39). Aqui nos deparamos com algo imoral, pois envolve adultério, logo, uma tentação.
Paulo: Paulo tinha uma enfermidade que lhe foi dada pelo tentador e permitida por Deus para o seu próprio bem (II Coríntios 12:7-9; Gálatas 4:13,14).
IV – TROPEÇO:
IV.1. VISÃO GERAL:
Definição: Obstáculo em que se tropeça, é o ato de bater em algo, e por momentos perder o equilíbrio do corpo, poderá haver queda ou não. Esbarrar com o pé contra algo; colidir ou embater em… Tropeço (dicionário bíblico) é uma expressão idiomática da Bíblia hebraica, da segunda aliança, e denomina “a atitude ou comportamento de alguém que conduz outrem a pecar”.
Deus permitiu o holocausto porque Jerusalém tropeçou e Judá caiu (Isaías 3:8-16)
Deus nos dá uma ordem sobre a questão dos tropeços (I Coríntios 10:24,32-33, Filipenses 1:9-11). Vejamos alguns questionamentos e suas respostas:
- O que leva o homem a tropeçar? (I Pedro 2:8; Provérbios 16:18): Ser desobediente à Palavra e ser orgulhoso e soberbo.
- O que nos pode fazer evitar de tropeçar? (Salmos 119:165): Os que amam a Lei, NADA pode fazê-los tropeçar. Jesus dizia que “feliz aquele que não encontrava nEle causa de tropeço” (Mateus 11:6; Romanos 9:33; João 6:56-67).
- Que conselho Paulo nos deixa quanto a tropeços? (I Coríntios 8:9-13, 10:32-33; II Coríntios 6:3; Romanos 14:13,19-23).
- O que acontece aos que fazem outros tropeçar? (Mateus 18:6-7): Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar.
IV.2. EXEMPLOS DE PEDRAS DE TROPEÇOS:
A Palavra de Deus nos ensina sobre algumas pedras de tropeços, falaremos sobre as três principais:
IV.2.1. Nós como pedra de tropeço para outrem: Quando escandalizamos um irmão, estamos sendo como uma pedra de tropeço, ou seja, algo em seu caminho que o faz cair de sua fé.
Podemos escandalizar de diversas formas: falando demais, fazendo fofocas que separam pessoas (Provérbios 6:16-19, 10:18-20, 13:3, 16:27,28, 21:23, 25:9), caluniando (18:8, 26:20,22) ofendendo (Provérbios 18:19; 19:11); ficando ofendido (Eclesiastes 7:9; Provérbios 19:11; 14:9; 12:16); ou prestando atenção a ofensas (Provérbios 17:4; Eclesiastes 7:21-22); guardando rancor (Hebreus 12:15; Prov. 17:9) odiando (Provérbios 10:12; 26:24,25); tendo acessos de ira (Provérbios 14:17,29, 15:18, 16:32, 17:27, 22:24,25, 25:28; 26:21, 29:22; Tiago 1:19-20,26-27), se vingando (Provérbios 20:22, 24:29).
Na igreja primitiva, nossos irmãos se abstinham de certas coisas, mesmo que lícitas, para não ferir a consciência de um irmão mais fraco. Temiam ser ocasião de tropeço para um novo convertido. O apóstolo Paulo fala muito sobre isso.
Se você é um cristão e acha injusto se privar do que gosta por esse tipo de opinião alheia, então leia o texto de I Coríntios 8:9,13.
“Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade“. (Mateus 13:41)
“Digo, porém, a consciência, não a tua, mas a do outro. Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem? E, se eu com graça participo, por que sou blasfemado naquilo por que dou graças? Portanto, quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar.” (I Coríntios 10:29-33)
Quando se trata de trazer escândalo para a igreja do Senhor ou ser uma pedra de tropeço para um novo convertido é ainda muito pior, pois o próprio Jesus nos diz que seria melhor que colocássemos uma pedra no pescoço e nos lançássemos ao mar do que fazer tropeçar um pequenino. Podemos entender como pequeninos tanto as crianças quanto os novos convertidos, que também são crianças na fé (Lucas 17:2; Marcos 9:42; Mateus 18:6).
O não escandalizar aos irmãos é tão importante que vários versículos ilustram que, se nossa mão, pé ou olho escandalizar é melhor arrancá-los (Marcos 9:42-43,45,47; Mateus 5:29,30; 18:8,9,).
“Seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão” (Romanos 14:13).
IV.2.2.A iniquidade como pedra de tropeço: Podemos dizer que iniquidade é um pecado de repetição, portanto quando nós, cristãos, estamos presos a ela isto serve de pedra de tropeço e nos leva a morte espiritual (Ezequiel 18:30-31).
IV.2.3. Jesus como pedra de tropeço para os Judeus: Não se admire com isto, mas Jesus foi e é uma pedra de tropeço para alguns povos e crenças e para muitos que conheciam sua origem humilde (Marcos 6:3).
“Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (1 Coríntios 1:23).
“Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; E todo aquele que crer nela não será confundido” (Romanos 9:33)
“Então ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel; por armadilha e laço aos moradores de Jerusalém” (Isaías 8:14).
O único permitido a ser pedra de tropeço é Cristo, o Filho de Deus, quanto a nós, meros mortais, não podemos de forma alguma servir de tropeço para outros. Vigiemos, sejamos sóbrios, considerando nosso próximo sempre como superior a nós, e seremos autênticos cristãos, pois assim agiu e nos ensinou Jesus Cristo, a quem devemos imitar.
V – ANÁLISE DAS DIFERENÇAS ENTRE PROVAÇÃO, TENTAÇÃO E TROPEÇOS A PARTIR DOS PECADOS DE ISRAEL AO LONGO DE SUA HISTÓRIA:
Para entendermos os conceitos acima e a diferença entre provação, tentação e tropeços, vamos analisar os pecados de Israel…
V.1. A murmuração: O povo foi provado em sua fidelidade, após todos os sinais feitos por Deus, que se deu a conhecer a eles aos olhos de todas as nações. No segundo mês, apenas um mês depois de verem todos os sinais: a abertura do mar Vermelho, a morte dos egípcios, os homens puseram-se a murmurar (Êxodo 16:1-3). O Senhor ouviu e os alimentou com pão dos céus (v. 4-8, 11-13; Salmos 105:40), o maná (Números 11:7-8).
Com isso aprendemos do impacto que a murmuração tem em nossas vidas (Números 11:12-15,18-23,31-34, 14:27-30; Eclesiástico 10:28, 11:11-14; Filipenses 2:14-15; I Pedro 4:9-10).
V1.1. Expressão de desejos egoístas (Num. 11:1-6): Jeová se aborreceu, atendeu, mas puniu o povo por seu egoísmo (v.10; v.33-34; Tiago 4:1-4).
V.1.2. A Idolatria: Moisés, ao subir a montanha para receber os 10 Mandamentos e a Torah, começou a demorar, o povo se corrompeu (Êxodo 32:1-4,7-14, 21-22,26-29, 31-35) e foi tentado a voltar a idolatria aprendida no Egito: construíram o bezerro de ouro.
OBS: O MAIS VENERADO e o mais célebre dos animais sagrados para os egípcios era, sem nenhuma dúvida, o touro Ápis (Hep em egípcio). Os antigos egípcios consideravam-no como a expressão mais completa da divindade sob a forma animal.
Depois comeram e beberam e se levantaram para diversão (Provérbios 23:20; Eclesiastes 7:2-4: “melhor é ir à casa do luto do que…”)
A partir do momento do Bezerro de ouro, Deus decidiu não acompanhar mais o povo, mas enviou seu anjo, Cristo, para acompanhá-los (Êxodo 33:1-5; I Coríntios 10:1-5).
V.3. Imoralidade sexual: Foram tentados a cometer imoralidade sexual e por isso morreram 23.000 num só dia (Números 25:1-8).
A Bíblia fala muito sobre a imoralidade sexual (Mateus 15:19; At. 15:20; I Coríntios 5:9, 6:9,18-19, 10:8; Gálatas 5:19; I Tessalonicenses 4:3). Pela imoralidade, Sodoma e Gomorra também foram destruídas em sinal de aviso para nós (Gênesis 19:1-17,23-26; II Pedro 2:6-9; Judas 1:7). Porque será a mesma punição: a destruição com fogo e enxofre.
V.3.1. Para que Satanás não use o ardil de tentar o homem, levando-o a um leito maculado, uma vez que seu objetivo é matar, roubar e destruir, vamos entender o que é um leito sem mácula, citado na Bíblia (Hebreus 13:4). Esse é um leito onde não é praticado[1]:
- Adultério (Prov. 6:26; Lev. 20:10; Ex. 20:14): Ato sexual entre uma pessoa casada e outrem que não o cônjuge. Infidelidade conjugal. Adultério não é apenas o ato sexual em si, sendo possível cometê-lo com o olhar (Mat. 5:27,28);
- Fornicação (Efésios 5:3,5): Ato sexual entre pessoas que não são casadas entre si;
- Infidelidade (Malaquias 2:10,13-15; Levítico 18:20; Provérbios 22:14; I Coríntios 5:11): Deslealdade, perfídia, falsidade, traição
- Relações sexuais em períodos impróprios[2] (Ezequiel 18:6; 22:10; Levítico 18:19; Levítico 20:18; 15:25)
- Relações sexuais ilícitas (Levítico 18:18, 22, 23; Romanos 1:26,27,28-32);
- Greves Sexuais (I Coríntios 7:4,5); e
- Sexo sem entendimento (Tobias 6:16,17): Muitos afirmam que, para os casados, entre quatro paredes vale tudo. Não vale, não! Isso é algo perverso, contrário a vontade de Deus (Rom. 1:24-28). Se valesse, Deus não diria o que diz em Hebreus 13:4 direcionando-se aos casados.
V.4. Falaram contra Moisés e Arão (Numeros 16:1-5, 12-13,15, 20-24,32-35): Todo ciúme e inveja vem do maligno. Logo o povo de Israel foi tentado a questionar a autoridade de Moisés. Muitos foram mortos. Ao verem que os amigos haviam morrido, continuaram a falar de Moisés e Arão culpando-os (v. 41-49). Coré, Datã e Abiram, juntamente com mais 250 príncipes, homens de renome, questionaram essa escolha do Eterno, provavelmente, não o fizeram conscientemente, mas, como nos cita Ezequiel 33:13: “fiados em sua própria justiça”.
Eles, naquele momento, achavam-se no direito de questionar a autoridade de Moisés, encontravam-se cheios de dificuldades, no meio do deserto, sob instáveis circunstâncias: calor, sede, frio, fome, lembrando-se das delícias culinárias deixadas para trás… FORAM MORTOS! Aprendemos, através do ocorrido, que é inadmissível na presença do Eterno questionar a autoridade daqueles que foram por Ele constituídos. Murmurar e se opor aos escolhidos de Deus é desrespeito para com Deus (Números 12:8, 16:30*-33; 12:1,2,6-9, Romanos 13:2,4,6, II Timóteo 3:8,9*; Eclesiástico 7:31).
O primeiro a cometer esse pecado foi Satanás, pois, ao pensar em seu coração que subiria até as alturas, e lá faria seu trono e seria semelhante ao Altíssimo, teve ali sua sentença decretada. A Palavra não nos diz que ele pensou que seria maior, mas igual; entretanto, este não era o lugar que o Criador lhe designara, razão pela qual teve sua sentença de morte decretada por aquele que o criara: sua pretensão era de ter um posto superior ao que lhe fora confiado.
Em qualquer sociedade, seja ela familiar, civil, eclesiástica, ou mesmo como neste episódio, na hierarquia celeste, o insubmisso é rebelde, cria conflitos em sua trajetória, conturba e corrompe. No caso acima, vemos que Lúcifer levou consigo um terço da corte celestial. Esse é o resultado de insubmissão, “rebeldia”, que é como o pecado de FEITIÇARIA (I Samuel 15:23).
É importante entendermos que submissão não é sinônimo de inferioridade e sim, de proteção. Ao obedecermos àqueles que o Eterno constituiu sobre nós, quer na sociedade familiar, quer na sociedade civil, estamos não apenas obedecendo-O, como também sendo protegidos, e teremos, com certeza, nossos direitos amparados pela soberania de Deus, que nos olha como filhos obedientes, fazendo com que os que estão sobre nós sejam iluminados para tomar decisões conscientes, que nos tragam alegria, paz, prosperidade; tudo isso em razão de nossa sujeição à ordem divina.
NOTA DE RODAPÉ
[1] Os anjos comparecem na presença de Deus e apresentam nossos atos e orações (Tobias 12:12-15; Apocalipse 8:3-5; Mateus 18:10)
Tobias 12:12: “Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos, quando deixavas a tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para sepultá-los quando viesse a noite, eu apresentava as tuas orações ao Senhor. 13. Mas porque eras agradável ao Senhor, foi preciso que a tentação te provasse. 14. Agora o Senhor enviou-me para curar-te e livrar do demônio Sara, mulher de teu filho. 15. Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos na presença do Senhor”.
Apocalipse 8:3: “Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono. 4. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus. 5. Depois disso, o anjo tomou o turíbulo, encheu-o de brasas do altar e lançou-o por terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e terremotos”.
Mateus 18:10: “Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus”.
[2] EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA SOBRE O PERÍODO MENSTRUAL: A CONDENAÇÃO DO SEXO NO PERIODO MENSTRUAL É PARA A NOSSA PRÓPRIA PROTEÇÃO – A secreção existente no órgão sexual feminino é levemente ácida, e por essa razão, antisséptica. Ao contrário, quando se está no período menstrual essa secreção torna-se alcalina e leva aproximadamente sete dias para recuperar seu PH normal. Durante essa fase, os órgãos genitais femininos ficam sem sua proteção natural, aumentando a possibilidade de infecções. Além disso, durante o período menstrual, a parede uterina desprende-se e todo o canal uterino assemelha-se a uma ferida aberta. E isso faz com que toda essa região seja vulnerável à entrada de germes. Somente sete dias após o fim do período menstrual, a parede uterina volta a ficar resistente. http://asleismorais.blogspot.com/2017/06/sexo-menstruacao.html
REFERÊNCIAS:
http://melhore-se.blogspot.com/2012/11/
A Serpente do Paraíso – Erwin W. Lutzer
Campo de Batalha da Mente – Joyce Meyer
http://asleismorais.blogspot.com/2017/06/sexo-menstruacao.html
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